Bom dia a todas
Levanto-me com o nascer do Sol, às 8H tenho de estar no local de trabalho e não moro perto.
Há as rotinas de diárias, a higiene, o vestir, os transportes públicos e é aí que começo a pensar no que tenho pela frente... o que vou fazer primeiro, o que pode esperar, etc. Por vezes penso nas minhas artesanices também, hi, hi.
Ontem o dia começou da mesma maneira mas assim que cheguei ao trabalho tive um telefonema da minha mãe (falamos diariamente) e notei que a fala dela estava diferente, enrolada, presa e ela confirmou que estava a achar estranho. Combinámos encontrar-nos em S. José, não lhe disse nada, mas sabia que tinha havido um AVC...
No Hospital foi-me permitido estar ao pé da minha mãe e foi confirmado o
AVC, mas havia necessidade de fazer análises, electrocardiograma e TAC e,
consoante os resultados decidir se ficaria internada. Por ser mais confortável
para ela optaram com o nosso consentimento em interná-la de imediato.
O dia foi longo, as peripécias foram muitas, mas felizmente a minha mãe já
está em casa.
Esteve toda a tarde nestes claustros, mas o aspecto não era nada disto,
esta foto já tem 4 dias. Ontem, estava a abarrotar, senhores do lado direito,
senhoras do lado esquerdo, ao dentro “os supostos gabinetes” para médicos e
enfermeiros trabalharem.
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Tenho de realçar o profissionalismo dos diferentes
trabalhadores, da médica de Medicina que nos atendeu, não só pela sua
capacidade de diagnóstico, como pela sua simpatia, das enfermeiras/os, dos
maqueiros dos administrativos e até dos polícias que estavam de serviço.
Quando tive de me separar da minha mãe e aguardar “por
ali”, nada tinha para fazer a não ser pensar e observar.
O dia de ontem podia dar uma postagem XXL, mas quero
somente destacar o desempenho do funcionário das Informações, um rapaz que tinha
idade para ser meu filho, que mais parecia não ter dois braços, mas sim seis ou
sete, atendendo os familiares dos doentes, sedentos de notícias, atendendo o
telefone, encaminhado as pessoas, enquanto na sala de espera havia gritos,
discussões, mas sempre sempre com um sorriso e uma simpatia que não tenho
palavras para descrever.
O mesmo rapaz, que “descobriu” a D. Adriana (minha mãe), quando eu
e o sistema informático tínhamos outra indicação do seu paradeiro. Foi simplesmente incansável. Eu agradeci-lhe e ele respondeu: é o meu trabalho, tenho de saber o paradeiro dos doentes e informar as famílias.
Não sei o nome de nenhum dos profissionais que conheci
ontem. As fardas com identificação ainda não chegaram a este Hospital, mas isso
é o menos relevante.
Sei que nunca o tinha visto, e não vejo
alguma probabilidade dele ler esta postagem, mas ontem tive um anjo da guarda
perto de mim, e foi ele. Numa certa altura fui perto dele e agradeci-lhe a
Quem sabe, alguém que trabalha em S. José, lê isto, soma 2 e 2 e lhe diz como eu estou reconhecida?
A net tão depressa é um mundo, como se transforma num quintal.
Fala-se em despedir 30 000
funcionários do Sector Público? Quais? Será que alguém sabe?
Será que um
deles é este rapaz, 100%, profissional, mas com contrato a prazo e que quando
terminar já não é renovado?
Será que é
alguma das médicas que atendeu a minha mãe, com simpatia, carinho, sem pressas,
dando-lhe toda a atenção, como se não existissem mais doentes?
Ou será a
enfermeira que estava a falar com ela quando entrei no claustro, e ainda nos
rimos, porque ela me disse que a minha mãe lhe estava a contar “alguns pecados”
que fazia, mas afinal ela estava à espera de coisas mais graves, os “pecados”
eram só uma sandes de chourição de vez em quando?
Ou será o
polícia, que interveio quando um doente, após ter sido visto por Psiquiatria
estava completamente descontrolado, a discutir “pr’o mundo” por causa do médico
não lhe ter receitado nada. O polícia começou a falar calmamente para ele,
ouvia-o, e o encaminhou-o na direcção da saída para não perturbar a Admissão
dos Doentes?
Qualquer
destes profissionais, e muitos outros igualmente bons podem estar na “corda bamba”.
Pensei muito
ontem, mais que o habitual.
Falei há
pouco com a minha mãe, continua na mesma, mas mais animada, diz que teve muita
sorte com as pessoas que a atenderam.
Não é a primeira vez que partilho experiências, sentimentos, emoções, mas hoje fui um pouco mais longe. Achei que devia dizer que temos bons profissionais, que apesar de terem todos os motivos para andarem desmotivados, continuam a trabalhar com o mesmo afinco, vontade e também criatividade: não havia almofadas, o maqueiro pegou num lençol, deu-lhe meia dúzia de voltas e ficou uma almofada que colocou por baixo da cabeça da minha mãe:
- desculpe, é o que tenho, fica bem?
- sim, se calhar até fico mais fresca.
Ontem foi o dia em que senti que o "copo esteve sempre meio cheio" em vez de "meio vazio".
Amanhã é um
novo dia, com mais um nascer do sol, com um novo caminho pela frente.
Aproveitem cada momento, mesmo quando a vida nos prega partidas.
Beijinhos a todas e muito obrigada por estarem comigo







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